Mesa-redonda sobre Fonética Forenses e Perícias em Áudio e Vídeo  

A crescente participação das perícias de áudio e vídeo em processos judiciais leva magistrados, advogados e fonoaudiólogos a buscar capacitação ou atualização em técnicas digitais multimídia 

Atualmente é muito comum que, ao longo de investigações policiais ou da tramitação de processos judiciais, se torne necessário realizar exames em arquivos de áudio e vídeo. Não é preciso buscar muito longe para entender o porquê. Quem de nós não conhece alguém ou até mesmo já foi pessoalmente vítima de alguma tentativa de golpe financeiro praticado via telefone? Quem nunca viu, em noticiários ou programas educativos, matérias sobre o exame forense de fotografias ou gravações de video que registraram acidentes ou crimes? 

A capacidade de determinar com precisão os reais fatos de um evento é essencial para o correto andamento de qualquer investigação. Um descuido na coleta de vestígios na cena do crime ou no seu exame pericial pode levar a um erro de julgamento.  A falha em perceber que um arquivo de vídeo foi adulterado para ocultar ou plantar evidências pode ferir a integridade do processo e dos envolvidos.  

Taciana Duarte, coordenadora de cursos de extensão na Faculdade Ibptech de Ciências Forenses, explica que em muitas situações os exames periciais em arquivos multimídia demandam a participação de peritos com conhecimentos bastante distintos. Na investigação de fraude praticada mediante ligação por celular a uma central de atendimento telefônico, um engenheiro de telecomunicações analisa os registros técnicos que identificam o equipamento chamador, a linha celular de onde partiu a chamada e os registros de geolocalização que mostram em qual região estava o aparelho. Enquanto isso, um perito computacional verifica os dados ocultos contidos nos próprios arquivos multimídia, identificando qual gravador foi utilizado e se há vestígios de eventuais adulterações. Finalmente, um fonoaudiólogo compara o material sonoro gravado com amostras coletadas de suspeitos.  

A fonoaudióloga, doutora em neurociências e professora de perícia forense Aline Pacheco conta que as características vocais de pessoas distintas podem ser bastante similares entre si, por isso, somente exames técnicos realizados por fonoaudiólogos e engenheiros treinados podem identificar se duas falas gravadas em separado foram produzidas pela mesma pessoa. A professora lembra que o emprego de técnicas modernas como a inteligência artificial podem captar as características vocais de um determinado falante e produzir gravações com falas que ele jamais proferiu.

Para Gustavo Batistuzzo, coordenador de tecnologia e multimeios educacionais da Faculdade IBPTECH, atuar com precisão e excelência nas situações reais da vida profissional: “não é simplesmente fonética, não é simplesmente TI, não é simplesmente engenharia, é um misto de tudo para saber o que pode ser feito e em quais situações”.  

Considerando que esse tipo de conhecimento se tornou imprescindível para peritos, advogados, promotores, delegados e juízes e advogados, a Faculdade Ibptech criou o “Curso de Extensão Universitária em Fonética Forense e Perícias em Áudio e Vídeo”. Visa complementar os conhecimentos de profissionais graduados ou de estudantes em cursos como direito, engenharia, fonoaudiologia ou áreas afins, pois os exames periciais em áudio e vídeo geralmente são pouco aprofundados na grade curricular de cursos de graduação.

Essas e outras questões sobre Fonética Forenses e Perícias em Áudio de Vìdeo estão disponíveis na gravação da mesa-redonda, disponível neste link, no canal TV Faculdade Ibptech.

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